Menor concentração de travestis albinos xintoístas por metro quadrado

Libertários não devem cair no jogo identitário da esquerda

Diversidade é uma força, toda pessoa razoável e completamente sensata sabe disso tanto quanto sabemos que o esquerdista é canalha. A esquerda moderna é obcecada por raça, gênero e identidades num geral, e vive usando isso como arma contra a direita. No impeachment, depois de todo protesto contra a Dilma, você podia esperar o post canalha de recenseador hobbysta reclamando que o protesto não tinha um número suficiente de negros. Da mesma forma, enchem o saco do movimento libertário pela falta de mulheres, ou gays, ou travestis albinos xintoístas ─ nossa maior falha.

A resposta dos libertários pode ser dividida em duas categorias. A primeira é quem xinga, manda catarem lata, e segue sua vida. A segunda é quem responde que “não é verdade!!!”, e aí desenterra um amigo token gay autista e anão para lacrar a esquerda. O primeiro tipo está no caminho certo, e vai ganhar um biscoito. O segundo tipo precisa ler o resto desse texto, e melhorar sua autoestima.

Uma das frases mais famosas de Lenin é “A melhor forma de controlar a oposição é liderá-la nós mesmos”, a ideia lida principalmente com oposição controlada, gate-keepers e “líderes” que alteram o alvo de um movimento para torná-lo inefetivo. Porém, outra ideia que surge desta frase é a guerrilha psicológica, quando seu opositor entra na sua cabeça, e te faz agir dentro da lógica e das regras dele.

Um grande adepto dessa ideia é Saul Alinsky, autor do livro “Rules for Radicals: A Pragmatic Primer for Realistic Radicals” (Regras para Radicais: Cartilha Pragmática para Radicais Realistas), comunista radical que propunha a guerrilha psicológica como a grande estratégia para vitória. Alguns classificam esse livro como o manual da esquerda moderna, concordo com essa visão. Entender todas as regras de Alinsky é uma ótima ideia, mas hoje vamos focar em duas.

  • Regra número 5: Ridicularização é a arma mais potente do homem.
  • Regra número 3: Sempre que possível, saia da especialidade de seu inimigo.

Falar algo na linha “zero negros nessa foto” é uma ridicularização suave, mas não deixa de ser efetiva. Você apenas observou um fato, você não atacou ou xingou ninguém, mas sugeriu que as pessoas do protesto são racistas. Outro ataque comum é falar da ausência de mulheres, e aí a coisa fica mais feia. “Sem mulheres, pois todos vocês são incels machistas punheteiros” ou algum ataque nessa linha é uma ótima, você vai reagir e defender sua honra, talvez você conte da sua namorada ou algo do tipo. Não importa. O importante é que você está jogando nas regras do esquerdista.

Ao invés de discutir argumentos, discutir a substância da questão, você está discutindo recenseamento e demografia. Ao invés de ter uma discussão intelectual, você está falando de sexo e baixaria. Mais importante, você está reagindo, ao invés de agir. Um dos principais pontos de Alinsky é focar na reação do oponente, “a real ação é a reação do inimigo”, pois sabendo a próxima ação de seu adversário você estará sempre um passo adiante dele. A sua reação se torna o palanque da próxima ação dele, e de lá ele consegue o que quer. Um exemplo prático é a questão das notícias falsas.

  • Ação: notícias falsas.
  • Reação: reclamação, ultraje, sensação de “medo” ou preocupação.
  • Ação: regulamentação, censura e controle dos meios de comunicação. Pelo bem de todos.

No caso de um debate, pregar a ladainha de sempre sobre falta de mulheres ou alguma minoria tira o debate da questão, e coloca o debate no âmbito do identitarismo. O que nos leva a regra número 3, tirar seu inimigo de um território amigável a ele. Considerando que o libertário médio não frequenta saraus lésbicos inspirados por Frida Kahlo, falar de minorias é como mandar seu avô para o Japão sem falar japonês. Ele vai tropeçar na língua, nos costumes, e provavelmente vai ofender alguma tradição milenar em menos de 15 minutos.

Você vai estar completamente neutralizado nesse tipo de debate, pois não está acostumado com aquilo, enquanto o esquerdista sabe cada vírgula ou conceitinho. Você vai tentar falar algo, ele vai inventar que a palavra é “gordofóbica” ou algo do tipo. Você vai argumentar que existem libertários gays, e ele vai dizer que não é suficiente, e que uma pessoa (que provavelmente se odeia ou é enrustida ou pior) não representa a diversidade que todos queremos. Você não pode vencer, pois já perdeu no momento em que aceitou ter o assunto desviado.

O ponto não é dizer que negros, ou gays, ou qualquer outra minoria não pertença no libertarianismo. O ponto é que não devemos nos preocupar com isso, não é nosso foco! Quem foca em identitarismo, interseccionalidade, tabelinha da opressão e MMA de minorias são os esquerdistas. Nosso foco são ideias, lógica, racionalidade, liberdade, autocontrole e não intervenção. Quem concordar com nossas ideias, e quiser fazer parte, pode fazer sem qualquer problema ou restrição biológica.

Temos nossas próprias ideias, gostamos e estamos seguros com elas, não precisamos das ideias deles. Portanto, apenas insegurança ou ansiedade social justificaria deixá-las de lado para cair na lama do identitarismo da esquerda moderna. Levante a cabeça, tenha orgulho das suas ideias, e pare de se sentir inadequado. Aliás, é bom falar de insegurança, pois isso é uma fraqueza humana. E toda ação de controle ou domínio político parte de alguma fraqueza humana. Da inveja, parte a ideia de taxar seu vizinho que tem uma casa melhor que a sua. Do medo, parte o uso de controle ou violência estatal. Da preguiça, surge o estado babá, etc.

Precisamos perder essa insegurança, essa vontade de “se encaixar” com o establishment esquerdista, ou vamos perder nossa essência libertária. Não precisamos “empoderar mulheres”, criar cotas, lideranças gays ou dar destaque para minorias apenas por dar destaque a minorias. Se um travesti albino xintoísta tiver boas ideias, ele ganha um microfone, se não tiver muito a acrescentar, que fique sentado na plateia. Não podemos abandonar a meritocracia, a busca pela criação de valor, em prol da Igreja da Diversidade™. Pois fazendo isso, deixaríamos de ser quem somos, e a esquerda terá vencido por tabela. Seremos apenas esquerdistas que tomam banho e gostam de livre mercado. As técnicas e os pormenores vão mudar, mas os resultados serão os resultados que a esquerda deseja, seremos inefetivos.

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