No futuro, seremos todos de humanas

sou do levante tô com maduro

Seremos tod@s de humanas

Algo interessante de andar com pessoas de exatas, além deles terem dinheiro & tomarem banho mais de uma vez no mês, é como eles se tranquilizam “ah, eu sou de exatas” sempre que surge alguma insanidade dum departamento de humanas. É como se humanas fosse um bairro ruim, biológicas fosse um bom edifício no centro da cidade, e exatas fosse um condomínio fechado com belos jardins. As coisas ruins não vão chegar em você, nunca, você está seguro. Como este site adora estragar prazeres, vamos ver porque não é bem assim.

Em primeiro lugar, precisamos entender que isso não é sobre meia dúzia de moças (não no sentido estritamente biológico, e especialmente os homens) de suvaco cabeludo e ativismo mongoloide. A patrulha ideológica é um projeto de poder, uma dominação, da qual essas moças são meros peões. É o conceito de Marxismo Cultural, escola de pensamento que entende a cultura como o pilar essencial para a implementação das ideias marxistas, nem a economia ultrapassa a essencialidade da cultura nessa escola de pensamento.

O projeto de dominação cultural marxista lida com destruir ou desconstruir preceitos da sociedade ocidental, como família, igreja, relações de gênero, relações de raça, identidade cultural, nacionalismo e individualismo. Esses conceitos são vistos como base, e justificativa, para o capitalismo e sua eliminação se torna essencial para o projeto esquerdista. Para desmontar esses preceitos, o domínio de instituições influentes da sociedade se torna essencial; instituições como a indústria do entretenimento, o jornalismo, o meio jurídico (especialmente para lawfare e ativismo judicial), as universidades e qualquer outro meio formador de opinião.

Nas universidades, as ciências humanas vieram primeiro por serem o caminho mais natural. Advogados, jornalistas, filósofos e outros pensadores terão de passar por alguma ciência humana, você já mata dois coelhos numa cajadada só. Mas dominação é dominação, só funciona se for total, ter apenas um departamento das universidades não basta. É preciso dominar a universidade como um todo.

Biológicas ─ seu próximo médico será um travesti albino

Começando por biológicas, num artigo recente do Wall Street Journal de título “Take Two Aspirin and Call Me by My Pronouns” (Tome Duas Aspirinas e Me Chame Pelos Meus Pronomes, em tradução livre), um ex-coordenador de currículo de uma faculdade de medicina relata como a formação de médicos tem mudado nos últimos anos. Se antes os coordenadores eram estritamente médicos, sempre com devido pedigree e experiência profissional, hoje basta um diploma em educação ou sociologia para obter o cargo.

A mudança de profissionais, obviamente, trás seu preço. Os currículos deixaram de focar em treinamento rigoroso, e dura exigência de conhecimento teórico, para focarem em coisas mais importantes; como aquecimento global, desigualdade social, viés inconsciente (minha baboseira favorita), ativismo contra porte de armas e outras causas queridas da esquerda moderna. Uma piada frequente sobre ciências humanas é a inutilidade duma socióloga, doutora em feminismo trans afro, frente a alguém tendo um ataque cardíaco. Pois agora ela dará aula para o seu médico, mesmo que a utilidade siga obscura.

Um último ponto interessante sobre esse texto é que o autor fala sobre como os primeiros ataques, na linha de exigir justiça social na medicina, vieram de sociólogos progressistas na década de 60. Eles ainda não haviam infiltrado o meio, e não tinham influência para causar alterações, mas já estavam de olho nele. Novamente, o objetivo é dominar as universidades, não um departamento das universidades.

Num segundo exemplo, infelizmente prático, a NHS (o SUS do Reino Unido) anunciou em Novembro de 2019 que tratamento poderá ser negado a pacientes que apresentarem gestos ou comportamentos racistas, sexistas ou ofensivos de alguma forma. Essencialmente, o Juramento de Hipócrates, onde tratamento não pode ser negado por crenças ou ideias, foi descartado em nome do progresso e da justiça social.

Outro exemplo, também do Reino Unido, é a proposta de cotas para minorias em cargos de alto nível em hospitais. Brancos conseguem cargos por mérito, disciplina, sacrifício e inteligência? Nah, é privilégio, racismo e maldaaaaade. Cotas são uma ótima arma para a guerra cultural, pois dois problemas são resolvidos duma vez só. Você coloca pessoas mais identificadas com suas ideias dentro de uma instituição, e ainda cria tensão racial. Controle de universidades, check. Destruir as relações raciais no ocidente, check. Asiáticos nos EUA processaram Harvard pela existência de um chamado “imposto asiático”, onde alunos desta etnia precisam de pontuações mais elevadas que o normal para conseguirem vaga. Na prática, o processo demonstrou um sistema de cotas clandestino em Harvard, onde o mesmo número de afro-americanos, hispânicos, brancos e asiáticos são admitidos todos os anos, mesmo com variações em qualificações individuais e número de candidatos de cada grupo.

Para encerrar biológicas, eu lhes convido para o maravilhoso & mágico mundo das Cartinhas Para O Papai Noel Da Diversidade. Textos que sempre insistem em dizer “não, nós temos dados, temos provas claras, tem número e talz”, mas nunca cumprem nada. Quer fazer alguém pedindo diversidade chiar? Peça a fonte de algum dado, insista em querer ver a fonte, diga que você ama gráficos e planilhas. A pessoa sempre vai marcar de te mandar um e-mail, em 31 de Junho de 2040, numa tarde com neve em Fortaleza (CE). E no raro caso onde surgir uma fonte, será algo como os textos acima, mais esvaziado que minha paciência.

O benefício da diversidade é a diversidade, pela diversidade, que ainda precisa de mais diversidade. No primeiro texto, do site Statnews, o principal argumento do autor é falar de uma vez onde viu uma senhora idosa negra, que poderia ser avó dele!!!! Todo mundo sabe que não existe nada mais essencial, para um ataque epiléptico, do que um médico que lembre seu sobrinho-neto Túlio Arnaldo Júnior. Depois fala de como culturas diferentes causam inúmeros benefícios, como sempre, sem dado algum quantificando tanta maravilha. Para variar, ele diz que dados não importam, pois esse tipo de coisa é difícil de medir mesmo, então a medida de sucesso será um médico entendendo a cultura de seu paciente. Seguindo esta linha, minha proposta curricular para o Brasil (sim, eu sou tão competente quanto uma socióloga feminista, posso formular currículos de medicina sim):

  • Módulo “ôrra meu” para lidar com o paulistano
    • Pô meu, tô com um problema na agêiiiincia: como explicar o diagnóstico em termos de agência de publicidade, cada consulta é um brainstorm, cada tratamento é um job.
    • A opressão oculta de mulheres de classe média alta moradoras de Pinheiros-SP, elas não são privilegiadas!
  • Módulo “esse trem” para lidar com o mineiro
    • equações tautológicas para entender o que cada “esse trem” de uma frase quer dizer.
    • Propriedades medicinais do doce de leite.
  • Módulo “bah, tchê” para entender o gaúcho
    • O Sul não é seu país, cala a boca, fascista!
    • As propriedades mágicas do chimarrão, e como materializar uma cuia em qualquer lugar, em qualquer circunstância. Lei da Atração aplicada ao Chimarrão.
    • Churrasco todo dia não aumenta risco de ataque cardíaco, os dados (que enviarei, sem falta, em 31 de Setembro) provam esse consenso científico.
  • Módulo “treme” para lidar com o paraense
    • estudos avançados da Banda Calypso.
    • Gaby Amarantos, “Amaral + Santos” ou vem do grão mesmo?
    • as propriedades mágicas do açaí.

Como todo especialista em diversidade, evidentemente, já tenho uma claque de “especialistas” nesses assuntos que posso indicar como professores das matérias. Não é sobre contratar gente com a minha ideologia, ou ajudar um amigo a fazer um trocado, é sobre diversidade & competência.

No segundo texto, do Hospital Johns Hopkins, o primeiro argumento é sobre alunos educados em ambientes diversos terem maior conforto lidando com pacientes diversos. Novamente, diversidade é importante pela diversidade, pois isso cria diversidade. O segundo argumento diz que pacientes gostam de ver médicos da mesma raça que eles, e que isso aumenta a confiança médico-paciente. Deixando de lado o potencial de etnoestado que seguir essa ideia cria, novamente me inspirei. Que tal apenas médicos diabéticos tratando diabetes? Apenas médicos autistas tratando autismo? Apenas médicos idosos (preferencialmente senis) se especializando em geriatria. O mesmo para pediatras, Dr. Carlinho vai atender seu filho assim que terminar de tomar o Toddynho da tarde.

Exatas ─ matemática racista

Nas ciências exatas, o cavalo de troia dos códigos de conduta adentra instituições em polvorosa. O que antes só ocorria em faculdades de humanas, passou a ocorrer em empresas privadas. O que antes só ocorria em empresas privadas, agora aparece em projetos open source. E de forma alguma a coisa vai parar com vitórias parciais.

No cenário open source, a questão é completamente insana e não razoável. Reclamam de “falta de diversidade” nos projetos, o que não faz sentido algum na natureza do cenário open source. Projetos open source não possuem cargos, salários ou promoções. Dependem exclusivamente da contribuição voluntária de desenvolvedores. Se um projeto “não possui diversidade” desenvolvendo ele, é porque a diversidade não está afim de programar nele, c’est la vie.

Eu não consigo enxergar forma razoável de acrescentar diversidade em projetos open source, qual a ideia? Socialização dos commits? Cada commit de um homem heterosexual será dado para um travesti albino sorteado, cada commit de mulher branca será entregue para uma feminista negra, etc. Não entendo, me ajuda a te ajudar ─ not really, caguei para suas ideias lunáticas, que Shiva me proteja de você. Não existe razoabilidade, pois não é uma ideia racional, o objetivo é poder e controle de mais uma instituição.

Outra questão é a cancel culture, expulsando desenvolvedores talentosos em nome de histeria. Nesse texto de Novembro de 2019, um desenvolvedor foi barrado de uma conferência por causa de seu comportamento extremamente ofensivo. Ele matou a mãe de alguém? Não, ele fez pior, postou uma foto com um MAGA hat no Twitter. Depois dessa polêmica, ele se engajou com a mulher que pediu seu cancelamento, a convidou para uma conversa civilizada e calma. Ela respondeu “f*da-se você, f*da-se civilidade”, de forma muito equilibrada e diplomática, uma digna lady. Obviamente, a instituição que promoveu o evento decidiu pelo lado sensato, a histérica tacando cocô nos outros.

Outro caso foi o desenvolvedor Notch, do jogo Minecraft, excluído de evento promovido pela Microsoft por seus comentários extremamente problemáticos. O fato dele ter inventado algo, ser alguém obviamente relevante numa conferência sobre aquilo, não impede que a existência dele seja removida da história por uma violação da Bíblia da justiça social. Diversos outros casos existem, e vão existir no futuro.

E a grande questão é que isso não vai parar por aqui, o objetivo é dominação total, e a coisa eventualmente vai tomar conta do ambiente acadêmico. Abrace seus professores homens velhos e ranzinzas, os substitutos deles serão bem piores (e diversos). Tudo ruma nesse sentido.

Anos atrás, com o Gamergate, pedidos de maior transparência no jornalismo de tecnologia foram claramente atendidos. Com centenas de artigos falando sobre a necessidade de mais mulheres e minorias no setor de tecnologia, pois os homens malvados que consomem/trabalham estavam perturbando os santificados jornalistas do meio, e isto é muito problemático.

Um estudo nos EUA recomendou mudar, artificialmente, as notas em cursos de ciências exatas para atrair mais mulheres. Aparentemente, mulheres se importam mais com suas médias, com ter números bonitos no boletim, e passar com os exatos 4,572 pontos que você precisava em Mêcanica não ajuda. A ideia é subir as médias, na marra, para atrair mais mulheres e manter as que já estão, pois parte da evasão (segundo o estudo) se dá pelo medo de notas mais baixas e a exaustão moral consequente.

A primeira Cartinha Para O Papai Noel Da Diversidade™️ que achei é tão boa, que nem senti necessidade de arrumar outra. No texto do site, Edcor, o argumento principal fala que mulheres são metade da população, e como não podemos ignorar essa perspectiva na produção de produtos e serviços, não daria certo. Exceto que, teoricamente, tem dado certo há alguma centena de anos. Homens brancos (e provavelmente malvados 😡😡😡) inventaram a Internet, e mulheres usam, gostam e apreciam. Outro homem inventou o forno de microondas, sem a perspectiva de uma mulher, e chocantemente deu certo. Mulheres usam o microondas, criado sem a perspectiva delas.

O texto segue dando dicas de como aumentar o número de mulheres no meio, e a coisa fica maravilhosa. Primeiro falam de como “mulheres se importam com como a tecnologia afeta as pessoas, enquanto homens ligam para as funções da tecnologia em si”, por onde começar? Antes de mais nada, se você quer combater discriminação por gênero, falar “mulher gosta de prática na tecnologia, mulher bom. Homem gosta de barulhinho e explosão na tecnologia, homem ruim” é um começo indesejável. Cara autora, homens gostam de usar tecnologia para melhorar sua vida (e a dos outros) tanto quanto mulheres, ou travestis albinos. Homens gostam de testar novas tecnologias e ideias, mas criar soluções práticas segue sendo importante. Você já falou com um homem (não imaginário) em sua vida, minha senhora?

Em seguida, o texto encerra falando que é preciso mudar o ambiente, citando um novo programa de 8 passos para atrair mulheres e 12 para reter mulheres. Logo depois, falam que o programa também serve para homens. Não sei quão bom de tautologia você é, talvez você possa me ajudar, mas isso não me faz sentido. Se atualmente funciona para homens, e precisa mudar. E se mudando vai funcionar para mulheres, como pode funcionar para homens também? Se o novo sistema (feito para um) funciona para os dois, o que impede que o atual funcione para os dois também? Syntax error, tia.

Conclusão

O domínio esquerdista das ciências humanas não é algo natural, é parte de um projeto de subversão cultural, embasado na ideia de que a cultura é o pilar essencial para a implementação do marxismo, dentro da estratégia do Marxismo Cultural. Como qualquer projeto de poder, comandar o parquinho não basta, é preciso a cidade inteira. Nesse sentido, há um desejo antigo de dominar a academia e o ambiente universitário como um todo, até nas áreas biológicas e de exatas.

Exemplos de ações que tentam implementar esse desejo não faltam, o mesmo vale para consequências desagradáveis. Na medicina, o fim da integralidade do Juramento de Hipócrates, com exceções para “fascistas”, indica a subversão da missão sagrada do médico como um guardião de todas as vidas humanas. Na tecnologia, a intimidação de voluntários e entusiastas, e a expulsão de nomes estabelecidos, atrapalha o desenvolvimento de soluções e o aprendizado geral. Em ambos, a troca de pessoas competentes, com históricos invejáveis, por pessoas diversas ou ideológicas indica uma clara queda de qualidade.

Se pontes, projetadas por alunos de exatas com notas inchadas, caírem isso não importa para o ideológico. Se um médico não souber um procedimento básico, mas souber os pronomes corretos para um travesti, isso satisfaz o ativista. Se projetos open source morrerem, sem os estímulos naturais que existiam, pouco importa ao marxista cultural. O projeto é só um veículo de controle, se ele deixar de funcionar, é só buscar um novo projeto para controlar. Alguns gostam de ver essas consequências como acidente, juram que assim que algo der errado vão chamar de volta quem expulsaram, mas não é um acidente. O projeto deles é de destruição, e não existe destruição suave. Essas pessoas não se assustam com as consequências, elas adoram elas.

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